A PERCEPÇÃO DO CLIMA MOTIVACIONAL EM ALUNOS DE PROFESSORES ESTAGIÁRIOS E DE PROFESSORES COOPERANTES

Joana Mendes1, João Martins1, Francisco Carreiro da Costa1,2

1 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Faculdade de Desporto e Educação Física
2 Centro Interdisciplinar de Estudo da Performance Humana, Universidade de Lisboa, Faculdade de Motricidade Humana

Resumen

O objectivo do estudo foi analisar o clima motivacional predominante nas aulas de Educação Física de professores estagiários e de professores cooperantes. A percepção de competência, a atitude face à disciplina de Educação Física e o estilo de vida dos alunos foram igualmente objecto de análise. A amostra foi constituída por 122 alunos (59 rapazes e 63 raparigas), com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos. Todos os alunos eram estudantes do ensino secundário de quatro escolas da cidade de Lisboa. Os dados foram recolhidos através de questionário. Os resultados obtidos permitiram verificar que os alunos do sexo masculino apresentavam valores superiores de actividade física relativamente às suas colegas do sexo feminino. A diferença não assumiu, todavia, significância estatística. Os alunos dos professores estagiários apresentaram valores de percepção do clima motivacional orientado para a maestria superior aos alunos dos professores cooperantes. Verificou-se uma correlação significativa e moderada entre a percepção de competência dos alunos e a participação na prática de actividade física. Ao contrário do que seria expectável os estudantes-professores parecem ter criado nas suas aulas um clima educativo mais favorável à promoção da actividade do que os professores cooperantes.

Palabras Clave: Clima Motivacional, Educação Física, Professores Cooperantes, Professores Estagiários

Abstract

The objective of the study was to analyse the prevailing motivational climate in physical education classes of trainee teachers and cooperating teachers. The students&rsquo; perceptions of competence, attitude towards Physical Education and the lifestyle were also examined. The sample consisted of 122 students (59 boys and 63 girls), aged between 15 and 18 years. All students were from four secondary schools of the city of Lisbon. Data were collected through a questionnaire. The results have showed that male students had higher values ​​of physical activity in relation to their female colleagues. The difference did not assume, however, statistically significance. Student-teachers&rsquo; students presented higher values of the motivational climate ​​oriented to mastery than students of cooperating teachers. There was a significant and moderate correlation between the students&rsquo; perceived competence and participation in physical activity. In both sexes a significant and moderate correlation between perceived competence and physical activity was found. Contrary to what would be expected student-teachers seem to have created in their classes a more favourable educational environment for promoting physical activity than the cooperating teachers. <br /> <br /> El objetivo del estudio fue analizar el clima motivacional que prevalece en las clases de educación física de estudiantes de &ldquo;praticum&rdquo; y de tutores profesionales. También se examinó la percepción de competencia, la actitud hacia la Educación Física y el estilo de vida de los alumnos. La muestra estuvo constituida por 122 estudiantes (59 niños y 63 niñas), con edades comprendidas entre los 15 y los 18 años. Todos los alumnos eran estudiantes de cuatro escuelas secundarias de la ciudad de Lisboa. Los datos fueron recogidos a través de un cuestionario. Los resultados obtenidos mostraron que los varones tenían valores más altos de actividad física en relación con sus compañeras de clase. Sin embargo, la diferencia no presentó significación estadística. Los alumnos de los profesores en formación habían percibido valores del clima motivacional orientado a la maestría más altos que los de los tutores profesionales. Hubo una correlación significativa y moderada entre la percepción de competencia de los alumnos y la participación en la actividad física. Al contrario de lo que cabría esperar los futuros profesores (alumnos de practicum) parecen haber creado en sus clases un ambiente educativo más favorable para la promoción de la actividad física que los tutores profesionales.

Keywords: Motivational Climate, Physical education, Cooperate Teacher, Trainee Teache

INTRODUÇÃO

É consensual a assunção da relevância da prática de actividade física e do seu contributo para o bem-estar físico e psicológico das crianças e adolescentes, beneficiando a sua saúde e qualidade de vida no presente e no futuro (Jansen & LeBlanc, 2010; WHO, 2010). Nas últimas décadas tem-se assistido a um crescimento do número de estudos sobre o contributo da atividade física para o desenvolvimento do indivíduo. Esses estudos têm demonstrado que a maioria da população mundial, e principalmente nos países desenvolvidos, não participa em actividade física suficiente para obter benefícios ao nível da saúde, não adoptando um estilo de vida activo e saudável (Hallal et al., 2012).

De acordo com Organização Mundial de Saúde (2010) e a Society of Health And Physical Educators [SHAPE] (2015), assim como investigadores como Corbin (2002) e Tappe et al. (2004), a escola assume-se como a instituição onde é possível influenciar os indivíduos a adoptarem um estilo de vida activo e saudável, devendo a Educação Física assumir um papel fundamental no incentivo dos alunos à participação na actividade física regular ao longo da vida (UNESCO, 2015). Por exemplo, num estudo realizado na Finlândia por Telama et al. (2006), com uma amostra de 1606 jovens com idades compreendidas entre os 9 e 18 anos, os resultados permitiram verificar que elevados níveis de actividade física estruturados, e especialmente realizados de forma contínua, predizem altos níveis de actividade física na idade adulta. A importância das actividades organizadas e competitivas ficou visível ao observar-se que, em ambos os sexos, os sujeitos que participavam em actividades físicas organizadas na juventude, eram mais activos na idade adulta do que os que não participavam.

Para além do impacto na saúde e qualidade de vida, atual e futura, alguns estudos têm demonstrado de forma consistente que a actividade física estruturada nas escolas tem uma influência positiva na concentração, comportamento, aprendizagem, sucesso académico e dos alunos (Castelli et al., 2007; Trost, 2007). Contudo, na adolescência, verifica-se que os níveis de actividade física tendem a diminuir com o aumento da idade e que rapazes são mais activos do que as raparigas, tanto a nível internacional (e.g., Hallal et al., 2012) como nacional (e.g., Baptista et al., 2012). Marshall et al. (2002) através do estudo de três grupos de adolescentes (11-15 anos), numa amostra de 2494 jovens, diferenciados pelo nível e tipo de comportamento sedentário e de actividade física, verificaram que os adolescentes passam uma parte considerável dos seus tempos livres em actividades sedentárias. Na investigação realizada por Ledent et al. (1997) verificou-se que o índice de actividade física diminui com a idade em ambos os sexos e com mais evidência nas raparigas. Outros estudos também demonstraram um declínio da prática de actividade física em crianças e adolescentes, particularmente no sexo feminino (Cairney, Veldhuizen, Kwan & Faught, 2014). Em Portugal os estudos desenvolvidos neste âmbito corroboram os resultados encontrados noutros países. No Estudo Nacional da Rede Europeia HBSC/ OMS desenvolvido por Matos et al. (2016) identificou-se que os rapazes praticam actividade física mais frequentemente do que as raparigas, e que os jovens mais novos praticam mais actividade física.

No que diz respeito à preferência do tipo de actividade física, Esculcas (1999), numa amostra de 594 alunos da cidade de Coimbra, com idades compreendidas entre os 12 e os 20 anos, verificou que os alunos praticavam mais actividades informais do que formais. As actividades formais caracterizavam-se pela prática de modalidades individuais/ pares. Concluiu também que o abandono durante a adolescência das actividades formais é um indicador de um comportamento não activo no futuro. Os indivíduos classificados com níveis de actividade física inferiores participavam significativamente mais em actividades informais, enquanto os classificados como activos, preferiam mais actividades formais.

A Educação Física deve promover hábitos de prática de actividade física que se mantenham para além da permanência na escola, não criando apenas condições para os alunos melhorarem as suas capacidades físicas. Mas, também criar hábitos de prática de actividade física que sejam uma fonte de diversão e diminuição dos factores de risco para a saúde. A escola e a disciplina de Educação Física devem criar condições para que cada aluno adquira conhecimentos e gosto pela prática da actividade física, de modo a desenvolver as competências necessárias para cuidar de si próprio. Em Portugal, vários estudos têm confirmado uma opinião favorável dos alunos face à Educação Física, apesar de ocorrer uma redução com a idade (Carreiro da Costa, Pereira & Diniz, 1998; Fraga, 1994; Leal, 1993; Pereira, Carreiro da Costa & Diniz, 2009). Adicionalmente, quando comparado com os níveis de gosto, a importância atribuída à disciplina de Educação Física tende a ser menor (Pereira, Carreiro da Costa & Diniz, 2009; Martins, 2015).

Uma das variáveis importantes neste estudo é a percepção de competência. Segundo Lee (1997) a percepção de competência é influenciada pelas experiências vividas pelos alunos, isto é, se o aluno for bem sucedido durante a prática de actividade física e receber elogios e estímulos do professor, aumenta a possibilidade de ser positiva a percepção de si próprio, quanto às actividades físicas. Na investigação realizada por Carreiro da Costa et al. (1998), verificou-se que 5.5% dos alunos tinham baixa percepção da sua habilidade, 79.6% pensavam que tinham um nível normal de habilidade. Relativamente às diferenças quanto ao sexo, Piéron, Juan e Montes (2009), constataram que os rapazes tendem, consistentemente, a demonstrar níveis mais elevados de percepção de competência do que as raparigas. Por outro lado, no estudo realizado por Pereira, Carreiro da Costa e Diniz (2000), ao nível da variável sexo, rapazes e raparigas não se diferenciam significativamente na motivação para a Educação Física, no conceito de competência em Educação Física e na percepção sobre os objectivos da Educação Física.

A nível psicológico, no que concerne à motivação, importa ainda analisar a orientação dos objectivos dos alunos e a percepção do clima motivacional das aulas de Educação Física. Ames (1992) define o termo “orientação de objectivos” como um conjunto de pensamentos, crenças, propósitos e emoções que traduzem as expectativas dos alunos ao realizarem determinadas tarefas, o que significa que os objectivos são representados de modos diferentes face à tarefa. A autora salienta que quando o aluno desenvolve a crença de que esses objectivos são significativos, e que, através do esforço, é possível alcançá-los, o seu comportamento cognitivo, motor e emotivo é direccionado para o alcance desses objectivos.

Vários autores dos quais salientamos Ames (1992), Papaioannou (1994), Harwood (2002) e Spray (2002), têm utilizado os termos mestria e performance para se referirem à orientação de objectivos para a tarefa e para o ego. Neste sentido, podemos constatar que a orientação de objectivos para a mestria está mais relacionada com a motivação intrínseca, e a orientação de objectivos para a performance com a motivação extrínseca. A associação entre a orientação para a mestria e a motivação intrínseca pode ser baseada, segundo Papaioannou (1998), na seguinte premissa ‘a actividade física é vivida como um fim em si’. Contudo, no que diz respeito à orientação para a performance, ‘a actividade física é vivida como um meio para um fim’, isto é, para alcançar um determinado resultado, para demonstrar superioridade para com os outros (Papaioannou, 1998). Os alunos orientados para a mestria têm como principal objectivo alcançar o domínio, e assim, participar mais no processo de aprendizagem (Papaioannou, 1998). Nesta perspectiva, Papaioannou (1998) refere que num clima orientado para a mestria, como as tarefas são vistas como um fim em si mesmas, os alunos tendem a apreciar o processo de aprendizagem e a valorizar as tarefas. Contudo, o autor alerta-nos para o facto de que um ambiente de aula desordenado não facilita o processo de aprendizagem.

Neste contexto, o clima motivacional assume especial relevância no desenvolvimento da actividade física. Como nos refere Papaioannou et al. (2007), os professores de Educação Física são os responsáveis pelo clima motivacional existente nas aulas de Educação Física. Decorrente desta realidade e face à escassez de investigações em Portugal que estude a comparação entre o clima motivacional em alunos de professores estagiários e alunos de professores cooperantes pretendeu-se investigar o clima motivacional nas aulas de Educação Física, assim como a orientação de objetivos, atitudes, perceção de competência e estilo de vida relacionado com a atividade física dos alunos.

MÉTODO

Desenho do estudo

Este estudo foi realizado em um único momento de avaliação dos participantes, sendo, por isso, um estudo transversal.

Amostra

A amostra deste estudo é constituída por 122 alunos, sendo 59 do sexo masculino (48.4%) e 63 do sexo feminino (51.6%), com idades compreendidas entre os 15 e os 18 (16.0±1.1) anos de idade. Todos os alunos eram estudantes do Ensino Secundário de quatro escolas da região metropolitana de Lisboa, selecionadas por conveniência. Pelos dados apresentados na tabela 1, podemos observar que da totalidade dos alunos, 66 eram alunos de professores estagiários (54.1%) e 56 eram alunos de professores orientadores (45.9%).

Tabela 1. Grupo de alunos de acordo com as características dos seus professores de Educação Física (estagiários ou cooperantes

Instrumentos

A recolha de dados foi realizada através de um questionário,  dividido em 6 partes, sendo constituído por 11 questões, na sua maioria de resposta fechada. As primeira parte refere-se a questões associadas a variáveis sociodemográficas, nomeadamente, sexo, idade, peso e altura. A segunda parte diz respeito à prática de actividade física informal, formal e ao desporto escolar, avaliadas a partir do questionário de Telama et al. (1997), já validado e utilizado em diversos estudos no contexto nacional (e.g., Martins, 2015; Marques, 2010).

O clima motivacional em Educação Física foi avaliado através do Questionário das perceções sobre a ênfase que os professores atribuem aos objetivos (PTEGQ, Papaiouannou et al., 2007), versão portuguesa adaptada e validada por Martins (2015). O questionário é constituída por 12 itens, sendo que 4 medem a perceção dos alunos sobre um clima motivacional para a mestria (alpha de Cronbach=0.8), 4 performance-aproximação (alpha de Cronbach=0.8), e outros 4 a performance-evitamento (alpha de Cronbach=0.7). A pontuação registada pelos sujeitos em cada uma das três subescalas pode variar entre 1 e 5 pontos. A orientação dos objetivos foi avaliada com recurso à versão Portuguesa do Questionário de objetivos de realização (AGQ, Papaioannou et al., 2007), também adaptado e validado por Martins (2015). Este instrumento é constituído por 15 itens, sendo que 5 medem e permitiram formar a subescala orientação de objetivos para a mestria (alpha de Cronbach=0.8), 5 para a performance- -aproximação (alpha de Cronbach=0.8), e os restantes 5 para a performance-evitamento (alpha de Cronbach=0.8).

A percepção de competência dos alunos foi medida utilizando a escala de Lintunen (1990). Especificamente, esta variável foi criada a partir de 6 itens, uma vez que consistência interna foi boa (alpha de Cronbach=0.9), oscilando entre o mínimo de 1 (Reduzida perceção de competência) e o máximo de 5 valores (Elevada perceção de competência). A atitude face à Educação Física foi avaliada com recurso ao questionário de Pereira et al., (2009) que contém duas dimensões: Gosto pela Educação Física e suas matérias (7 itens; alpha de Cronbach=0.9) e Importância da Educação Física (3 itens; alpha de Cronbach=0.8). As respostas oscilam numa escala com 5 pontos variando, respetivamente, de “Não gosto nada” (=1) a “Gosto mesmo muito” (=5) e “Nada importante” (=1) a “Muito importante” (=5).

Procedimentos operacionais

Foi realizado um pedido de autorização aos Directores das respectivas escolas e solicitada a colaboração dos professores estagiários e dos professores cooperantes da turma correspondente.  Os questionários foram preenchidos pelos alunos, com a colaboração dos professores, no fim das aulas de Educação Física, tendo sido disponibilizados cerca de 30 minutos da mesma. Antes de procederem ao preenchimento dos questionários, os alunos foram informados sobre o objectivo do estudo e a importância da sinceridade nas respostas. Mais, assegurou-se aos alunos que a sua participação seria voluntária e anónima. Durante o preenchimento a primeira autora esteve sempre presente.

Análise de dados

Os dados relativos aos questionários foram transferidos para suporte informático. Posteriormente, esses dados foram submetidos a tratamento estatístico com recurso ao programa IBM Statistical Package for the Social Sciences, versão 22.0. As variáveis nominais foram caracterizadas pela frequência das modalidades e pela percentagem que cada modalidade representa no total. As variáveis quantitativas caracterizaram-se através do valor médio, desvio padrão, mínimo e máximo.  Para verificar se existiam diferenças no nível de prática de actividade física em função do sexo e da idade recorremos ao teste t-Student para amostras independentes. O mesmo teste foi utilizado para aferir as diferenças nas variáveis dependentes (clima motivacional, orientação de objectivos, atitude face à Educação Física e percepção de competência) segundo os dois grupos de alunos, nomeadamente, alunos de professores estagiários e alunos de professores orientadores. A correlação de Pearson foi utilizada para analisar a associação entre as variáveis clima motivacional, orientação de objectivos, atitude face à Educação Física e percepção de competência e a actividade física. As análises estatísticas foram realizadas para um nível de significância de p<0.05.

RESULTADOS

No que diz respeito à apresentação dos resultados, quanto à prática de actividade física, 9.8% dos participantes referiu não o fazer, enquanto 14.8% dos alunos mencionaram praticar actividade física uma vez por semana e 23.8% duas ou mais vezes por semana. Pela análise da tabela 2, é possível verificar que 51.6% da amostra declarou praticar quatro ou mais vezes por semana actividade física. A percentagem de alunos que disse praticar menos de três vezes por semana é de 48.4%, sendo que 12 alunos afirmaram nunca praticar actividade física.

Tabela 2. Participação nas actividades físicas.

Como podemos constatar na tabela 3, fazendo uma análise pelo tipo de atividade física, foi na prática de actividade física informal que se verificou uma média mais elevada (3.02+2.49).

Tabela 3. Média, desvio padrão, mínimo e máximo da prática de AF informal, AF formal e número de treinos semanais no DE.

Legenda: AF, atividade física; DE, desporto escolar

Como se pode observar na tabela 4, os rapazes (média=4.97) referiram praticar mais actividade física no total (soma do número de sessões de AF informal, formal e DE) do que as raparigas (média=4.22), não sendo, no entanto, essas diferenças de participação significativas (T (120) =1.142, p=0.256).

Tabela 4. Análise das diferenças da prática de AF total (Soma da AF informal, AF formal, DE) em função do sexo

Legenda: AF, actividade física; DE, desporto escolar

Em função no número de vezes que os alunos referiram praticar actividade física (formal, informal e desporto escolar), classificaram-se os alunos em activos e inativos/pouco activos. Consideraram-se ativos os alunos que mencionaram praticar actividade física seis ou mais vezes por semana. Desta forma, constatou-se que 60.6 % (n=74) dos alunos foram classificados como tendo um estilo de vida inativo ou pouco ativo e 39.4% (n=48) um estilo de vida fisicamente ativo. Para verificar se a idade é significativamente diferente entre aqueles que mais praticam actividade física e aqueles que são sedentários ou pouco activos recorreu-se ao teste t (tabela 5). Verificou-se que não existem diferenças significativas relativamente à idade dos indivíduos que são activos ou inativos/ pouco activos (T (120) =0.705, p=0.482).

Tabela 5. Análise das diferenças da prática de AF em função da idade

Quanto à análise das diferenças da prática de atividade física em função do sexo e idade, como se pode observar na tabela 6, para os rapazes inativos a média de idade é 16.39 e para os activos a média é 16.09 anos, não se verificando diferenças significativas (T (57) =1.018, p=0.313). Em relação às raparigas encontramos a mesma média de idade (média=15.92) independentemente de serem activas ou inativas (T (61) =0.004; p= 0.997).

Tabela 6. Análise das diferenças da prática de AF em função do sexo e idade

Na tabela 7 apresentam-se os dados relativos à determinação do teste t, para verificar se existiam diferenças significativas nas variáveis dependentes (clima motivacional, orientação de objectivos, atitude face à Educação Física e percepção de competência) nos dois grupos (alunos dos professores estagiários e alunos dos professores orientadores). Verificámos que existem diferenças significativas entre os grupos de alunos de professores estagiários e alunos de professores orientadores, quanto à orientação de objectivos (mestria), sendo os valores dos alunos de professores estagiários superiores aos alunos de professores orientadores (T (119) =2.257, p=0.032).  Constatou-se, contudo, e apesar de não serem significativativamente diferentes, que o grupo de alunos de professores estagiários apresentou valores superiores na maioria das variáveis, em relação ao outro grupo, excepto no clima motivacional performance-evitamento, cuja média foi 1.99±0.81 vs 2.12±0.94, dos alunos de professores estagiários e alunos de professores orientadores. Também na importância atribuída à Educação Física os alunos dos professores estagiários (3.47±1.07) apresentaram médias inferiores às dos alunos dos professores orientadores (3.52±1.01).

Tabela 7. Diferenças na orientação de objectivos, clima motivacional, percepção de competência e atitude face à Educação Física nos dois grupos de alunos.

Legenda: EF, Educação Física.

Seguidamente analisou-se a associação entre a atividade física total (soma número de sessões de actividade física informal, formal e desporto escolar) e as variáveis do clima motivacional, da orientação de objectivos, da atitude face à Educação Física e da percepção de competência, através da correlação de Pearson (tabela 8). Constataram-se correlações significativas e inversas no que diz respeito ao clima motivacional para a performance-evitamento)(r=-0.179) com a atividade física.  Verificaram-se correlações significativas e baixas relativamente à orientação de objectivos para a mestria, r=0.278, e inversa com a orientação de objetivo para a performance-evitamento, r=-0.201). Correlações positivas verificaram-se em relação à atitude face à Educação Física (gosto pela Educação Física e suas matérias, r=0.327 e importância atribuída à Educação Física, r=0.328) com a atividade física. Foram ainda observadas correlações significativas e moderadas entre a percepção de competência e a participação na prática de actividade física (r=0.481).

Tabela 8. Correlação de Pearson para análise da associação entre a orientação de objectivos, o clima motivacional, a percepção de competência e a atitude face à Educação Física e a actividade física total.

Legenda: EF, Educação Física.

Pelos resultados apresentados na tabela 9, podemos observar que em ambos os sexos foram estabelecidas correlações significativas e moderadas entre a percepção de competência e a actividade física, r=0.477 para os rapazes e r=0.467 para as raparigas. Em relação à atitude face à Educação Física verificámos uma correlação significativa e baixa relativamente gosto pela Educação Física e suas matérias (r=0.377 para os rapazes e r=0.253 para as raparigas) e importância atribuída à Educação Física (r=0.323 para os rapazes e r=0.315 para as raparigas). No entanto, identificou-se uma correlação significativa e baixa entre a orientação de objectivos para a mestria e a actividade física, apenas nos rapazes (r=0.316).

DISCUSSÃO

Com este estudo pretendeu-se comparar as diferenças no clima motivacional, na orientação de objectivos, na atitude face à Educação Física e na percepção de competência segundo os dois grupos de alunos, nomeadamente, de alunos de professores estagiários e de alunos de professores orientadores. Analisou-se também a associação entre as variáveis em estudo e a actividade física. Avaliou-se ainda a existência de diferenças significativas no nível da prática de actividade física em função do sexo e da idade.

Tabela 9. Correlação de Pearson para análise da associação entre a orientação de objectivos, o clima motivacional, a percepção de competência e a atitude face à Educação Física e a actividade física total, em ambos os sexos.

Legenda: EF, Educação Física.

A actividade física em idade escolar é de extrema importância, porque são nessas idades que se criam os hábitos e rotinas, e os jovens aprendem as habilidades motoras que no futuro servem de instrumentos para a sua exercitação. Através dos resultados obtidos, verificámos que 9.8% referiu não fazer actividade física e apenas 14.8% mencionou praticar uma vez por semana. A falta de tempo foi o motivo mais apontado (14.8%), estando em concordância com diversos estudos realizados no contexto nacional (e.g., Marques, 2010; Martins, 2015). Com base na atividade física total, constata-se que a maioria dos adolescentes apresenta um estilo de vida fisicamente inativo e pouco ativo, não cumprindo a sua grande maioria com as recomendações de actividade física recomendadas pela organização mundial da saúde (WHO, 2010), tal como se verificou noutros estudos realizados em contexto nacional (e.g., Martins, 2015; Baptista et al., 2012; Matos et al. 2016) e internacional (e.g., Hallal et al., 2012).

A maior parte das escolas dispõe do Desporto Escolar, uma actividade oferecida aos jovens cujos objectivos estão relacionados com a aprendizagem de novas habilidades, o simples prazer de praticar e o rendimento desportivo. A adesão dos alunos ao desporto escolar situou-se nos 23.8%, valor superior aos descritos por Marques (2010). Ainda assim consideramos que o número de alunos a envolver na prática do desporto escolar pode e deve ser superior. De referir que vários autores e instituições consideram que as actividades extracurriculares são muito importantes para a promoção da actividade física (e.g., Trudeau & Shephard, 2005; UNESCO, 2015).

Ainda sobre a prática regular de actividade física, o presente estudo está em consonância com outros relativamente às diferenças entre os sexos, ou seja, os rapazes eram mais activos do que as raparigas, no entanto, essas diferenças não eram significativas (Lee & Trost, 2006; Li et al., 2006). Isto é algo que apesar de ser consistemente relatado, carece de uma intervenção elevando-se os níveis de todos os adolescentes e em particular das raparigas. De facto, a grande maioria dos alunos inquiridos não cumpre com as recomendações de praticar AF diariamente (WHO, 2010; Jansen & LeBlanc, 2010).

Também se verificou que não existem diferenças significativas no que diz respeito à idade dos alunos que são activos ou inativos/pouco activos. Esse facto pode dever-se ao reduzido intervalo da faixa etária existente no presente estudo, o que está de acordo com o referido por Vasconcelos e Maia (2001), que constataram a não existência de declínio na actividade física dos jovens dos dois sexos, excepto na transição dos 18 para os 19 anos de idade.

Quanto à diferença existente entre as variáveis dependentes, (clima motivacional, orientação de objectivos, atitude face à Educação Física e percepção de competência nos dois grupos – alunos dos professores estagiários e alunos dos professores orientadores, verificou-se que os valores dos alunos dos professores estagiários foram maioritariamente superiores. Mais concretamente, na orientação de objectivos (mestria, performance-aproximação e performance-evitamento), no clima motivacional (apenas na mestria e performance-aproximação) e na percepção de competência. Contudo, apenas os valores da orientação de objectivos para a mestria foram significativamente diferentes. Tal dado pode ajudar a perceber as motivações dos jovens para a prática de actividade física. Todavia, uma orientação para a mestria não conduz, por si só, a elevados níveis de participação (Papaioannou, 1994, 1995, 1998).

Na análise realizada verificámos que existem correlações entre as variáveis do clima motivacional, da orientação de objectivos, da atitude face à Educação Física e da percepção de competência e a actividade física. Verificámos ainda que existe uma correlação significativa e moderada entre a percepção de competência e a participação na prática de actividade física. Este resultado está de acordo com o defendido por Ledent et al. (1997) que sugerem a existência de uma associação entre a percepção de competência e a actividade física, assumindo-se que a percepção de competência e a imagem corporal desempenham um papel importante para a mudança de comportamento. Também Marques (2010), refere que a percepção de competência exerce um papel primordial na decisão de praticar uma actividade física. Outros estudos mostram que os adolescentes que praticam mais actividade física e/ ou mais vigorosa, apresentam-se mais motivados do que os inativos, por sentirem prazer ao praticar actividade física, por superação própria ou por estarem rodeados por uma boa estrutura social, ligada à actividade física (Biddle & Wang, 2003).

Assim, com base nos resultados obtidos, importa que os professores de Educação Física sejam capazes de promover um clima motivacional para a mestria nas suas aulas, contribuindo assim para que os alunos valorizem a aprendizagem, e desenvolvam uma adequada orientação de objetivos (para a mestria), percepção de competência, bem como uma atitude positiva face à Educação Física, nomeadamente em termos de gosto e importância atribuída.

CONCLUSÕES

No que concerne ao estilo de vida, alunos do sexo masculino apresentam valores superiores ao nível da actividade física em relação ao sexo feminino. Esta diferença não assume, no entanto, significância estatística. No que se refere ao desporto escolar, eram poucos os alunos inscritos e estes realizavam entre um a três treinos semanais. As principais razões referidas pelos alunos para não participarem nas actividades físicas foram a falta de tempo e as dificuldades económicas.

Quanto à comparação entre o clima motivacional em alunos de professores estagiários e alunos de professores orientadores verificámos que os valores dos alunos dos professores estagiários foram maioritariamente superiores aos dos alunos de professores orientadores, assumindo significado estatístico os valores da orientação de objectivos para a mestria.

Verificámos uma correlação significativa e moderada entre a percepção de competência e a participação na prática de actividade física. Em ambos os sexos também constatámos existir uma correlação significativa e moderada entre a percepção de competência e a actividade física. A percepção de competência, a atitude face à Educação Física e um clima motivacional das aulas de educação física orientado para a mestria  devem ser explorados pela escola e professores de Educação Física, pois são facilitadores importantes da prática de actividade física. A actividade física é essencial para a saúde e bem-estar, constituindo um pilar essencial para um estilo de vida saudável. As escolas/ grupos de Educação Física devem incentivar os alunos a inscreverem-se no desporto escolar,  aumentando desta forma as possibilidades de se tornarem praticantes regulares, o que poderá promover um estilo de vida activo e saudável no futuro.

Referencias

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3. Biddle, S., & Wang, J. (2003). Motivation and self-perception profiles and links with physical activity in adolescent girls. Journal of Adolescence, 26, 687-701.

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Cita en Gymnasium

Joana Mendes, João Martins Francisco Carreiro da Costa (2016). A PERCEPÇÃO DO CLIMA MOTIVACIONAL EM ALUNOS DE PROFESSORES ESTAGIÁRIOS E DE PROFESSORES COOPERANTES. . (2).

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